Conto: O Libertador - parte 5
GiZmo | 05/01/2010Kiéferon aproveitou a névoa e e noite para fugir até uma caverna próxima, bem escondida e segura dentro do possível. Não estava ferido, apenas algumas poucas escoriações da queda e do confronto com o hobgoblin caolho, mas tinha que se preparar melhor. Não seria capaz de derrotar todos aqueles monstros, e se assim o fizesse, não teria chance de libertar suas sobrinhas. Iria descansar e preparar um plano melhor para o confronto iminente.
No dia seguinte, o elfo se dirigiu até a trilha. Procurou uma posição apropriada para o que tinha em mente, e então pos-se a esperar por Gruvar.
***
Gruvar soube que as tropas de Thwor haviam partido para o cerco de Remnora e decidiu que seria seguro voltar para Rarnaakk. Entretanto não era tolo, e decidiu que também não iria se demorar muito por lá. Precisava de um plano para pegar aquele elfo. Era um oponente valoroso, e a imagem dele agarrando a flecha não saia de sua mente. Não podia se descuidar, caso contrário, seria morto e esquecido como todos os outros que morreram nas mão dos elfos durante a Guerra Eterna.
Estava na hora de jogar baixo, e de ser cruel.
***
O Hobgoblin desceu até as masmorras onde são guardados os escravos. Vários elfos estavam acorrentados por todos os lados, alguns chorando, outros de cabeça baixa, e outros ainda, encaravam Gruvar no tom mais ameaçador que lhes era possível para aquela situação. Por dentro ele ria disso tudo.
Foi até o final do corredor e encontrou o que estava procurando: Três menininhas idênticas. Abaixou-se e pegou-as pela corrente que estava presa em seus braços e as unia.
-Levantem, pequenas, titio veio buscá-las!
E gargalhando alto, escolheu mais algumas mulheres e crianças para irem com ele.
***
A carroça seguia pela trilha levando em seu interior uma bagagem bem interessante. Eram escravos elfos que seriam sacrificados e cozinhados para a glória de alimentarem o grande general Thwor Ironfist. Uma pesada lona de couro estava cobrindo as grades, de modo que apenas o cocheiro e seu acompanhante sabiam de seu interior. Era puxada por dois fortes bisãos, e guiada por um grande bugbear chamado Roxar. Ao seu lado, ia uma outra figura truculenta, porém coberta por um capuz.
Era noite, e nuvens escuras se avolumavam no céu, prenúncio de uma grande tempestade que estava por vir.
Ao se aproximar do ponto da primeira emboscada, Roxar ficou nervoso. Esperava que aquele maldito elfo tentasse lhe alvejar a qualquer momento.
Mas não foi isso que Kiéferon Namantallas fez.
Assim que viraram uma curva, tanto Roxar quanto seu acompanhante perceberam que o elfo estava parado no meio da estrada, com uma espada longa na mão direita e uma curta na esquerda, encarando-os ameaçadoramente.
Roxar parou a corroça e riu alto. Olhou para o encapuzado ao seu lado e puxou um enorme machado das costas. Desceu do coche e avançou contra Kiéferon.
O elfo deteve o primeiro ataque, um golpe de cima à baixo, com Sliraden e usou a espada curta para abrir um corte na barriga de Roxar. Sua pele era grossa e dura, e ele nem sequer verteu sangue. O Bugbear gargalhou mais uma vez e Kiéferon aproveitou sua distração para chutá-lo longe. O monstro caiu sentado e berrou para o outro:
-Vai ficar ai olhando, faça algo!
E então o encapuzado se levantou, e deixou cair seu manto.
Não era Gruvar.
Um trovão alto trouxe uma forte chuva.
Kallicar desceu mancando e empunhando um pesado mangüal. O girou contra o elfo, e ele habilmente saltou para o lado. A enorme bola de ferro ficou presa ao chão, e Kiéferon aproveitou para prende-la com o pé e abrir um corte horizontal no peito do hobgoblin. Saltou novamente, desta vez para escapar de uma pesada machadada de Roxar.
Os dois monstros pararam em posição tática para flanquearem o elfo, mas esse pareceu não ligar muito para isso. Abaixou-se par escapar de outro golpe de machado, e rolou para frente ao se esquivar do mangüal. Os dois viraram-se e pararam um do lado do outro, furiosos com o maldito elfo dançarino. Kiéferon aproveitou o momento em que estavam virando e saltou entre eles abrindo os braços. Sliradem perfurou a lateral do pescoço do Hobgoblin enquanto que sua espada curta abriu um buraco entre as costelas de Roxar.
Eles cairam sem vida, e o elfo jogou a cabeça para trás, tirando os cabelos ruivos do rosto.
Deu a volta pela carroça, e foi até a sua traseira. Tirou a lona e abriu a portinhola, e foi recebido por um quadrelo de besta. Surpreso, recuou alguns passos e viu um sombra crescer dentro da jaula. Saindo de trás de três jovens e assustadas elfas, um hobgoblin sorria e preparava outro tiro.
Outra seta em seu ombro.
Suas pernas fraquejaram e ele deixou cair sua espada curta, caindo de joelhos e se apoiando em Sliraden.
Gruvar saiu da jaula e jogou fora a besta. Tirou seu machado das costas e caminhou lentamente até seu inimigo.
-Existe veneno nestas setas, elfo, e em breve você estará morto. Saiba que sua morte foi em vão, e que seus compatriotas morrerão como você! Até aquelas menininhas morrerão, devoradas pelo grande general!
E então desceu seu machado.
Com as últimas forças que tinha, Kiéferon deteu com sua espada o golpe, e Gruvar chutou seu rosto. Ele caiu mais atrás, e o gosto de sangue veio em sua boca. O Hobgoblin preparou seu último golpe, e o elfo soube que seu dia havia chegado. Não tinha forças para lutar. Fechou seus olhos.
E um relâmpago iluminou toda a floresta.
Kiéferon esperou pelo golpe, e este não veio. Surpreso, abriu os olhos a tempo de ver o corpo de Gruvar cair tostado ao seu lado, e atrás dele surgir a imagem de suas três sobrinhas, de mãos dadas e com os dedos ainda fumegantes. Viu isso, e apagou.
(continua)
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