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Conto: Cadillacs e Dinossauros

PARTE I – Sangue no Asfalto! Blecht!

Os pneus entraram derrapando forte na rua. Aquela marca ficaria por uns dois dias, se bem que, com essa chuva, talvez um dia tomasse conta do recado. Chelsea estaria linda se não fossem pelos enxames incessantes de velociraptors que atravessavam a rua, espantavam as pessoas e faziam coisas desagradáveis e prejudiciais para as bolsas de valores em geral. Pois bem

Como ia dizendo, os pneus entraram derrapando forte na rua. Jack sempre achou que chuva era horrível para a pólvora, mas sua escopeta estava muito bem, obrigado. Jack também achou que nunca teria que salvar nenhuma Mary, e agradeceu aos céus por não se chamar John. Não era hora para divagações. Ele engrenou a quarta no cadillac e disparou pela Eight Avenue, porque aquela repórter era lindinha e merecia ser salva dos monstros que assolavam Nova Iorque.

Bum! Bum! A shotgun dupla de Jack chorava sangue pela estrada. Caíam um a um, e os que ficavam eram prontamente esmagados contra o pára-choque. Jack se sentia particularmente sanguinolento hoje. Dinossauros na hora do almoço acabavam com seu humor. Nona, Décima, Ondécima Avenida, já perto da West Side Highway apareceu um dos grandes. Jack sorriu e parou o carro.

“Bicho, está na hora de dizer tchau-tchau.”

Ele acelerou e disparou na perna do tiranossauro. A pisada arrancou concreto e cimento da estrada e Jack deslizou por baixo como se seu carro fosse uma grande luva de boxe. Foi oportunidade para mais dois tiros, mas Jack sabia que não adiantavam muito contra a parede de escamas. O rugido foi ensurdecedor e deve ter quebrado alguns vidros. Ainda bem que o cadilaque era conversível.

“Eu odeio lagartos, cara.”

PARTE II – Mais Sangue no Asfalto! Blecht!
Jack pisou, arrancando fumaça da pista. Sacou da uzi em um belo movimento arquejado, virou o corpo, abriu fogo sobre o rosto do Rex. E ele não deve ter gostado. O dino pisou forte, alçou de seu pescoço enorme e abriu sua bocarra imensa, atingindo o cadilaque de lado, espelhando ferragem pela rua, quase capotando o carro! BLAM! Essa não. Foi a gota d´água para Jack. “Seu filho dum capeta!”, berrou, e saltou do banco.

A luta foi monumental. Armado com escopeta e metralhadora, Jack não parava de disparar, esquivar, disparar, rolar pelo chão, desviar, esquivar, disparar! Digna de uma superprodução! O dino ia só levando chumbo, chumbo, chumbo, tava com a boca aberta de tanto tiro! E Jack se movia como um patinador pela rua, usava as latas para saltar, empurrava-as sobre o dino, fazia de tudo, cara!

E claro, ele estava MUITO empolgado. Finalmente, uma peleja que durasse bastante! E o melhor, ele ia conseguir que pagassem um montão de cerveja para ele no bar só para ouvirem ele contar a história toda. Uma coisa que Jack gostava de fazer era contar histórias. Mas agora ele tinha que matar dinossauro. E matar dinossauro, francamente, é estressante.

Jack deu um último salto, rolou no chão, armou a escopeta com um som gutural. Clá! Clá! E disparou um tiro certeiro no meio da testa do tiranossauro. O trambolho desabou de uma vez só. Abriu um buraco na rua. Jack limpou o suor da testa. O dia estava apenas começando…

Nota: Conto originalmente publicado em uma lista de discussão da Ed. Daemon.